Sopa de Salsicha

5.0

NOTA DO AUTOR

Não sou um grande fã de biografias, seja em livros ou em quadrinhos, mas esta edição em especial, eu comprei sem pestanejar. Mais um trabalho autoral de Eduardo Medeiros, Sopa de Salsicha conta as desventuras de Eduardo e sua esposa Aline, aqui conhecida como Baixinha. O gibi narra toda a dificuldade do Eduardo em criar uma graphic novel e, também, adaptar-se a uma nova vida em uma nova cidade.

O primeiro quadro do gibi é justamente a viagem de carro entre Porto Alegre e Florianópolis, pra onde o casal decide ir, após uma série de fatores que são melhor explicados no decorrer do livro. O principal motivo parece ser que eles estão com a sensação de que não fizeram muita coisa da vida e ambos já completaram 30 anos.

Após um sonho com Michael Bolton, Eduardo tem uma epifania e descobre que tem que fazer uma graphic novel, que, segundo ele, é um livro onde os artistas fazem histórias com mais de 100 páginas, totalmente dedicadas a falar deles mesmos e de problemas mal-resolvidos em suas vidas.

E ele já está fazendo isso desde a primeira página do livro, de maneira muito bem humorada, apesar dele ter dito que essas histórias geralmente são tristes. Ele conta que está casado com a Baixinha há 7 anos e que são bastante felizes.

Apesar da história ter um fio condutor geral, ela também é formada por “mini-contos” por assim dizer, como a página que conta a fixação da Baixinha por banana, de todos os tipos e jeitos; a história de que, apesar dos dreadlocks, Eduardo odeia reggae; a disputa de cuspe na praia; e os oito sonhos do Eduardo que poderiam se realizar. Esse fio condutor, como já dito, é o desejo do Eduardo de criar sua graphic novel, mas ele está meio travado, porque acha que sua vida não é emocionante o suficiente pra render uma história de mais de 100 páginas. Além disso, ele não fez muitos amigos desde que se mudou pra Floripa. Na verdade, não fez amigo nenhum. Essa é uma das melhores passagens de todo o gibi. Ele começa a falar sobre seus amigos de infância e dos amigos que fez no mundo dos quadrinhos, como o Mateus Santolouco, Rafael Albuquerque, Marcelo Campos, Gustavo Duarte e os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. Todos esses quadrinistas, com exceção do Santolouco, desenham alguns quadros pro gibi. Isso ficou muito bem integrado com a história sendo contada, inclusive com uma alfinetada deixada no traço do Albuquerque no final dessa parte da história.

Mas a participação mais legal é da própria Baixinha. Numa passagem, Eduardo estava dormindo e, quando acorda, percebe que ela está na sua prancheta, desenhando no caderno, e esses desenhos foram publicados, com alguns versinhos que ela escreveu. É muito emocionante e mostra o quando eles se gostam, mas sem ser piegas.

Falando em desenho, vamos falar agora do traço do Medeiros. Desde Mondo Urbano, o coletivo formado por ele, Rafael Albuquerque e Mateus Santolouco, eu admiro muito o seu estilo. Apesar de, dos três, ser o que menos tem trabalhos publicados na gringa (o Santolouco é o cara das Tartarugas Ninjas há algum tempo e o Albuquerque é uma das estrelas da DC Comics), é o meu favorito. O traço dele é extremamente estilizado e, talvez justamente por isso, não tenha muitas obras publicadas lá fora, mas ele é perfeito para trabalhos autorais como este e Open Bar, cujo volume 1 já foi publicado pelo Stout Club e, em breve, sairá em edição única pela Panini.

O traço dele é, ao mesmo tempo, leve e rico em detalhes. Cartunesco e perfeito para histórias que tenham uma pitada de humor. Mas ele se destaca, também, quando quer dar um tom dramático, coisa que fica bem clara em algumas passagens de Sopa de Salsicha. Fora que, dos três, é o que escreve melhor, na minha opinião.

Publicado pela Companhia das Letras, através do seu selo Quadrinhos na Cia, é uma publicação indispensável não só pra quem curte quadrinhos independentes, mas para quem curte quadrinhos de uma maneira geral!

 

  

Roteiro: Eduardo Medeiros.

Arte: Eduardo Medeiros.

Editor: Eduardo Medeiros.

Capa: Rafael Albuquerque, Rafael Scavone e Eduardo Medeiros.

Publicação original: junho de 2016.

No Brasil: -

Nota dos editores:  3.6


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