The Green Lantern #01

3.0

NOTA DO AUTOR

Hal Jordan, o Lanterna Verde do setor 2814, tem um novo desafio e seu (também novo) roteirista, Grant Morrison, demonstrou estar combatendo o mesmo oponente: o cansaço. Essa é a impressão maior que fica na estreia da nova mensal, The Green Lantern, publicada nos EUA no início de novembro desse ano. De que o cansaço se espalha pelo roteiro, situações e soluções das duas histórias que dividem a edição.

Primeiro temos um prólogo onde alguns Lanternas Verdes enfrentam criminosos no planeta Ventura, o mundo cassino dos Lordes da Sorte. Essa parte funciona principalmente pelas particularidades de cada alienígena, embora não vá além de um set up razoável para o que acontece depois, na Terra. É aí onde o cansaço bate pesado. A narrativa segue para a Terra, onde Hal Jordan é apresentado como alguém à deriva, tanto no comportamento quanto nas interações (com uma namorada, com a vida profissional e literalmente com o caminho que segue) e, do nada, esbarra com um dos aliens já em fuga, depois encontra um Lanterna moribundo vítima dos fugitivos e, logo depois, com 3 outros criminosos aliens atacando uma pequena cidade.

Embora Morrison literalmente transforme Jordan quando está em serviço como Lanterna, caracterizando o herói como alguém confiante, seguro e no controle de cada detalhe ao usar o poder e a autoridade policial do anel energético, ainda assim existe algo que transmite um tom cansativo em tudo. Desde as inexplicáveis coincidências para os alienígenas terem vindo à Terra, até chegarem nas proximidades do local onde Jordan está, assim como a forma como tudo é resolvido. O uso da energia verde, nada criativa, sendo que Morrison costumava afirmar que preferia Kyle Rayner, nos anos 1990, por ser potencialmente mais criativo no uso do poder esmeralda. Agora ele tem sua chance com Jordan e acaba usando mãos gigantes e simulacros de metal com o peso escrito na lateral!

Os diálogos também não ajudam. Tudo pouco inspirado. Tanto no papo expositivo entre Jordan e a namorada, quanto na conversa com o Lanterna ferido e mesmo ao abordar os criminosos. Eis que vem a parte final e Jordan cai até Oa, planeta-base da Tropa. Morrison demonstra ser Morrison, com um dos Guardiões fazendo um discurso hiper comprimido em termos de história, seja background ou subtramas no horizonte. E aí você lembra que Morrison poderia fazer isso muito melhor, mas apenas reeditou a si mesmo de 20, 30 anos atrás. É preciso ser justo. Talvez os autores tipo Morrison, Mark Waid e outros que fizeram tanto pelos quadrinhos tenham realmente se cansado. Os caras não tem culpa. Assim, propositalmente ou não, começam a escrever como se fosse um estilo minimalista, back to basics etc, Mas acabam sendo apenas eles mesmos com o freio-de-mão puxado.

Quanto à arte, Liam Sharp brilha nas sequências espaciais e é somente competente nas cenas apenas com humanos. O artista ideal pra Tropa, mas não para um Lanterna atuando na Terra.

Mas não entenda mal. Foi um bom gibi de estreia. O ponto é que “bom”, para expectativa criada pelo anúncio de Grant Morrison no universo dos Lanternas, é pouco. Principalmente com o gancho 1, quando o Guardião avisa que… A TROPA TEM UM TRAIDOR ESCONDIDO! Uau. Já o gancho 2, embora tão clichê quanto, empolga mais, ao explicar o crime no começo da edição e resgatar um dos grandes conceitos da mitologia Lanterna Verde: o Universo de Antimatéria e seus Armeiros. Vamos aguardar o desenvolvimento nas próximas edições. O universo é imenso e as possibilidades dependem apenas do escocês careca soltar o freio.

 

  

Roteiro: Grant Morrison

Arte: Liam Sharp

Editor: 

Capa: Liam Sharp

Publicação original: novembro de 2018

No Brasil: 

Nota dos editores:  3.0


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