Superman #5

5.0

NOTA DO AUTOR

Brian Michael Bendis acredita no piloto automático. Quem acompanha a carreira do cidadão há algum tempo sabe disso. Claro, seria injusto não admitir que ele tem o dom da escrita, sabe narrar histórias do ponto de vista humano como poucos roteiristas e, em seus melhores momentos, transforma interações e diálogos em pequenas jóias preciosas para os quadrinhos. Mesmo assim, teve muitos momentos em que foi levando roteiros em banho-maria, só naquela de ir deixando o tempo passar…

Agora, em sua estreia na DC Comics, com a minissérie Man of Steel e conduzindo as duas mensais de Kal-El, Action Comics e Superman, conseguiu uma proeza: está fazendo as duas coisas, em um equilíbrio precário-porém-divertido, em que usa e abusa de clichês, saídas fáceis, choques gratuitos e momentos que não surpreendem, mas está funcionando que é uma beleza.

Em Superman #5, temos tudo isso acontecendo de maneira magistralmente simples.

Um dos maiores inimigos do homem de aço volta em nova fase, com um artifício pra lá de besta. O General Zod está vivenciando sonhos recorrentes nos quais vislumbra um inesperado futuro em que propõe a Kal-El uma aliança para restabelecer um novo Krypton no planeta Jakuul, onde vive atualmente. Nos sonhos, também se vê diante da ameaça de Rogol Zaar. E ao acordar, descobre que a Terra desapareceu.

É tudo tão na cara que o leitor acaba aceitando por inércia. A pilantragem bendiana é tão potente que uma premissa rasa dessas funciona!

Daí em diante, Zod vai ao sistema solar a tempo de presenciar o retorno da Terra (em uma sequência tão, mas tão Era de Prata que certamente vai afastar muito leitor e fisgar muitos outros), esbarra em um meio de ir à Zona Fantasma e quando você percebe, o general já está ao lado do Superman, pronto pra enfrentar Rogol Zaar.

O mais irônico é que estamos presenciando um Bendis oposto ao que se convencionou esperar, ou seja, sem enrolação, fazendo em uma edição o que tradicionalmente faria em seis. Mas, para isso, recorreu aos expedientes mais manjados, fáceis e pouco elaborados dos quadrinhos de super-heróis. SONHOS PROFÉTICOS! COINCIDÊNCIAS! SINCRONIAS CÓSMICAS!

E. NOVAMENTE. DEU. CERTO.

Quanto ao astro da revista, Bendis continua demonstrando que entende o Superman (em que pese o vacilo em Man of Steel, quando fez Kal-El pensar “minha primeira vontade é mentir” ao ter de encarar a Supergirl logo após a destruição de certa comunidade importante para os dois), expondo sua humanidade no aspecto emocional e no ângulo intelectual, perfeitamente balanceada, como seria de se esperar do maior super-herói de todos os tempos. Se bem que, para isso, faz uso daquelas saídas fáceis já citadas: vilão cruel, desejo de vingança, ensinamentos de seus entes queridos, etc, etc. Tudo beirando a pieguice, mas Bendis vai lá e faz funcionar.

Mas funcionar MESMO, tão bem que de repente algum leitor veterano, totalmente imerso na narrativa, poderia até ser surpreendido por emoções beirando a pieguice e ter deixado alguma lágrima rolar. Tal é a pilantragem bendiana.

Enfim, mais uma edição em que parecemos estar revendo histórias de 10, 20 30, 40 anos atrás, mas que talvez por isso mesmo estejam causando uma sensação tão boa. A sensação que o Superman está em boas mãos. Mesmo uma mão estando no manche e a outra no piloto-automático.

 

  

Roteiro: Brian Michael Bendis

Arte: Ivan Reis, Joe Prado e Oclair Albert

Editor: Brian Cunningham

Capa: Ivan Reis, Joe Prado e Alex Sinclair

Publicação original: novembro de 2018

No Brasil: 

Nota dos editores:  5.0


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