Batman: As 10 Noites da Besta

3.0

NOTA DO AUTOR

Nos últimos anos, o nome de Jim Starlin foi alavancado graças aos filmes do lado cósmico da Marvel: o interesse começou com Guardiões da Galáxia e atingiu seu auge com Vingadores: Guerra Infinita, no qual o vilão Thanos, criado por Starlin, caiu de vez no gosto dos fãs. No entanto, o autor não se notabilizou apenas por grandiosas sagas intergalácticas. No fim dos anos 1980, ele teve um curta e consistente passagem pelo Batman, quando aprofundou os conceitos de Denny O’Neil (seu editor na revista) e Neil Adams de uma década antes. Estamos falando de um período pós-Crise nas Infinitas Terras, quando as duas obras seminais de Frank Miller (Cavaleiro das Trevas e Batman: Ano Um) haviam sido publicadas e já eram consideradas clássicas.

Junto a Starlin, tínhamos Jim Aparo no lápis e Mike DeCarlo na arte-final. Aparo estava em seu auge, dominando sua técnica de desenho e narrativa com a palma da mão. Esse talvez seja o período mais conhecido do desenhista por nós, brasileiros, quando acompanhávamos as histórias mensais do Batman, numa revista em formato americano. As 10 Noites da Besta, a propósito, saiu nesse formato, só que encadernado, coisa muito rara à época. Essa história foi publicada em quatro partes dentro da mensal do Morcego, sendo posteriormente encadernada lá fora, algo que se tornou comum alguns anos depois (vale dizer que as capas originais são do genial Mike Zeck; porém, a Editora Abril não deu a menor bola para isso e utilizou uma capa do saudoso Norm Breyfogle para uma outra história, que não tem absolutamente nada a ver com essa história. Coisas da Abril).

Jim Starlin utilizou elementos políticos muito em voga naquele momento da publicação original (início de 1988), quando a Guerra Fria caminhava para o seu final, após um novo acirramento das disputas entre norte-americanos e soviéticos. Então, além de um agente secreto russo da KGB, extremamente eficiente, letal e conhecedor de toda sorte de armamentos, temos um fundamentalista xiita iraniano ao seu lado, ambos tencionando eliminar os responsáveis (cientistas e políticos) pelo projeto “Guerra nas Estrelas”. Política, espionagem, diplomacia, traições, FBI e CIA, assassinatos, armamento pesado: os principais elementos daqueles anos estão muito bem distribuídos na história. Nela, conhecemos o famoso personagem criado pela dupla Starlin/Aparo: Anatoli Knyazev, o KGBesta (KGBeast no original). O principal agente da KGB (o serviço secreto soviético) é desconhecido até de seus superiores (o que causa estranheza: todo mundo sabe seu nome – ou suposto nome -, mas ninguém nunca viu seu rosto), sendo bem treinado em artes marciais e no uso de armamentos variados.

Nessa história, vemos um Batman mais humanizado, falho, que não resolve o mistério na segunda página. Acompanhamos a investigação, vemos de perto seus planos e a busca por um agente infiltrado, além das táticas para vencer o inimigo. Por seu turno, o KGBesta evita o embate direto contra o Homem-Morcego, não abrindo mão de uma fuga a ter que sair no braço contra o campeão de Gotham. Já o Batman rapidamente percebe a força de seu oponente e, ainda que o persiga, sabe que dificilmente o vencerá no mano a mano. É preciso usar algumas estratégias. No fim das contas, essa é a graça de As 10 Noites da Besta: dois oponentes muito fortes e inteligentes, que não se deixam levar pela vaidade de seus recursos e força, analisando o inimigo e sabendo recuar em nome de sua missão maior.Em tempos de um Batman muito forte e absurdamente dedutivo, é sempre bom ler uma história no qual o herói tem que suar a camisa para vencer o vilão e descobrir uma forma desvendar os mistérios por trás dos planos traçados por seus inimigos. Tudo isso com pouco uso da tecnologia, planos bem elaborados e um desvendar plausível com o que a história apresenta ao leitor. Ah, claro, e não esqueci: ao fim do arco, conforme a imagem acima, Batman deixa seu oponente para morrer numa “cela” nos esgotos de Gotham. Em nome da justiça, é claro. Os anos 1980 não foram tempos inocentes. Nem pro Batman.

 

  

Roteiro: Jim Starlin

Arte: Jim Aparo e Mike DeCarlo

Editor: Dennis O'Neil

Capa: Mike Zeck (original) e Norm Breyfogle (Abril Jovem)

Publicação original: Batman (v. 1) #417-420 (março a junho de 1988)

No Brasil: março de 1989

Nota dos editores:  1.5


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