X-Men: Equipe Vermelha (vol. 1)

4.7

NOTA DO AUTOR

Jean Grey voltou do mundo dos mortos. Não me pergunte como (a resposta você encontra aqui); nunca fui fã dos mutantes, li pouquíssima coisa da franquia, quase sempre a contragosto e na base da má vontade – recentemente vi o péssimo trailer de X-Men: Fênix Negra no cinema e me dei conta de que, ao contrário, vi todos os filmes no cinema, sem exceção. Desse jeito, X-Men: Equipe Vermelha – A Máquia do Ódio chegou aqui em casa por dois caminhos: recomendação de amigos e por ser um gibi escrito pelo Tom Taylor e desenhado pelo Mahmud Asrar. Pensei: como uma equipe criativa dessas, nem gibi mutante dá errado. E não deu!

Asrar eu conheci na Supergirl lá nos Novos 52 – que começa até bem, mas o destaque da revista é mesmo o seu traço, bem marcante, além do domínio da narrativa, boas tomadas, cenas de ação de impacto, tudo como muito dinamismo e sem preguiça de fazer cenários. Após isso ele foi para a Marvel e lá se meteu com títulos mutantes e eu perdi de vista. Bom ver que o cidadão continua em forma, desenhando lindamente e sem atrasos (as cinco edições mensais que estão nessa revista são dele – o Annual do Pascal Alixe). Aqui temos aquele caso clássico de arte que casa direitinho com o roteiro, porque Asrar pegou o embalo da coisa. Funciona em perfeita sintonia com o texto, fazendo desse gibi um acerto 100%.

Tom Taylor, por seu turno, pouco tenho a acrescentar. É um roteirista fantástico, um sopro de vigor nessa indústria. Roteiros bem amarrados, divertidos, tensos, tudo bem dosado, com diálogos afiados e certeiros. Sabe aquela leitura que você não larga enquanto não terminar e que ao mesmo tempo flui na velocidade da luz? É exatamente isso que temos aqui. Sem esquecer, é claro, todas as determinações de um editorial mutante: perseguições, ódio, conflitos, temor. Taylor aproveita as temáticas clássicas dos X-Men e atualiza para as discussões que estão acontecendo agora, nesse momento, nas redes sociais, sem soar gratuito, panfletário ou irritante. E sem muita sutileza também. Porém, a leitura é leve, deixa aquela ponta de interrogação e serve à história, não estando simplesmente jogado. Enfim, Taylor é o roteirista certo para esse momento, um dos melhores escritores da atualidade.

Certo, e a história? Começa com Jean passando sua vida a limpo bem rapidamente e afirmando, diante do túmulo de seu marido Scott Summers (pois é), que não voltou a vida – a sua antiga vida – para ver o mundo da mesma que ele sempre foi: é hora de mudá-lo. E não só isso: ela quer retomar seus antigos laços afetivos. Ela se encontra com sua filha Rachel e com a Wolverine. Com as duas “filhas”, vai até Nova Attilan, conversar com Raio Negro, responsável pela morte de Scott. Ele se desculpa pelo incidente e no epílogo conhecemos quem será a vilã da história: Cassandra Nova, a poderosa irmã de Charles Xavier. Sim, o mistério já está na sua cara: a trama segue a equipe formada por Jean para esse seu objetivo (Noturno, Namor, a citada Wolverine, Ratel, Trinária e Gentil) e o desenrolar dos planos de Cassandra.

Além disso, em se tratando de um gibi mutante, temos humanos com medo e ódio, sentinelas, avanços e recuos, busca por soluções e aliados. Taylor desenvolve muito bem não apenas os personagens (até porque alguns ele conhece muito bem, como a dupla de Wolverines), mas suas relações e interações entre si e com o mundo que os teme e os odeia, e qual o papel de cada um nesse grupo, em especial o Noturno, sempre muito próximo de Jean. Você se importa verdadeiramente com esses personagens e realmente quer saber aonde estamos indo. A trama avança, sendo inserido novos elementos que Taylor vai resolvendo uma a uma, sem deixar juntar muitas pontas para o final, ainda que a ameaça central e o consequente desfecho cresçam com o desenrolar da trama. Em resumo, uma ótima história. Aquela passada na banca despretensiosa que te surpreende positivamente, num encadernado no formato que Deus escolheu. Agora só nos resta esperar o segundo e último volume.

 

  

Roteiro: Tom Taylor

Arte: Pascal Alixe e Chris Sotomayor (Annual) e Mahmud Asrar com Ive Svorcina e Rain Beredo

Editor: Mark Paniccia e Jordan D. White

Capa: Travis Charest

Publicação original: X-Men Red Annual #1 (maio de 2018) e X-Men Red #1-5 (abril a agosto de 2018)

No Brasil: abril de 2019

Nota dos editores:  4.7


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