Cage!

5.0

NOTA DO AUTOR

No agora distante ano de 2007, a Marvel anunciou que Genndy Tartakovsky (criador dos desenhos preferidos de 10 entre 10 pessoas: Laboratório de Dexter, Samurai Jack e Star Wars: Clone Wars) faria uma minissérie – em quadrinhos – com Luke Cage, o famoso herói de aluguel da editora. Naquela época, Cage estava em evidência porque Brian Michael Bendis reformulava a equipe de heróis da Marvel, com o herói à frente dos Novos Vingadores. (Teve também aquela minissérie patética do Brian Azzarello com desenhos maravilhosos do grande Richard Corben, publicada em 2002.) Em suma, Luke Cage estava por aí – mas nem sonhava em estrelar uma série de TV, por exemplo (na real, nem sonhávamos com streaming, né).

Tartakovsky não seria o primeiro cara fora do mundo dos quadrinhos a fazer algo do tipo – mas seu nome estava muito em evidência naquele momento. Afinal, suas animações eram sucesso de público e crítica. Causou um certo reboliço. E o reboliço morreu: vieram Sym-Bionic Titan e a franquia Hotel Transilvânia, fazendo a minissérie sumir no limbo dos grandes trabalhos que jamais veria a luz do dia. Até que um belo dia, o russo-americano encontrou algumas páginas prontas ou quase prontas daquele trabalho e mandou aquele “oi, sumida” para a Marvel. A editora, é óbvio, não perdeu tempo e já reatou laços. Finalmente, no apagar das luzes de 2016, Cage! começou a sair. Nesses tempos atuais, de altíssimo hype e expectativas frustadas, cabe dizer: valeu a pena esperar.Cage! é simplesmente um vislumbre gráfico, uma minissérie potente, daquelas que você não larga enquanto não termina – ao mesmo tempo, é das leituras mais rápidas que você fará na vida. Dinâmica, na velocidade da luz. O que é ótimo, porque quanto mais rápido você termina, mais rápido você começa a reler. Ao entrar em contato com esse material, somos jogados num loop maluco, sendo impossível parar de folhear esse gibi por vontade própria.

Você nem precisa ter visto os desenhos mencionados acima ou simpatizar muito com a arte de Genndy Tartakovsky (o que, de antemão, te aviso: você está errado). Apenas pegue esse gibi e veja o baile, o passeio, o show, a aula de narrativa que esse cidadão dá ao longo de quase 30 páginas por edição. É um deleite! É aquela caso raro de “tá vendo? é por isso que leio gibis”. Poderia passar o resto da minha vida elogiando Cage! e talvez até ponha na minha lápida: “morreu, mas leu Cage!“, algo assim.

Vale dizer que Tartakovsky – fã confesso da Marvel – usa o Luke Cage clássico, setentista, com camisa amarela aberta no peito, tiara e o cinturão de corrente, dentro do espírito da época. E insere alguns outros personagens da editora, um vilão maluco, animais falantes (e lutadores) e, claro, um torneio de luta feroz, daqueles que você fica suado enquanto acompanha a troca de murro entre os lutadores. Porradaria come solta nas páginas desse gibi. Ainda deu tempo de colocar uma edição completamente lisérgica, com Cage tendo algumas alucinações, em que as cores do Scott Wills dominam a cena. Uma história divertida, ágil, com diálogos certeiros. Tudo aqui funciona (perceba que a arte-final do Stephen DeStefano não descaracteriza forte a arte do autor).Só nos resta esperar que a Panini, um belo dia, lembre-se desse material e publique por aqui. Em fascículos ou capa cartão, porque Cage! é gibi pra ser lido e relido no ônibus, no metrô, na fila do banco, e não sentado na poltrona, diante da estante. Não cabe – nem pede – firulas editoriais. E após o lançamento, leia, releia, empreste pro seu amigo, presenteie seu filho(a) e sobrinhos(as), faça o mundo conhecer Cage!, para o mundo ser um lugar melhor.

 

  

Roteiro: Genndy Tartakovsky

Arte: Genndy Tartakovsky, Stephen DeStefano e Scott Wills

Editor: Tom Brevoort

Capa: Genndy Tartakovsky

Publicação original: Cage! (dezembro de 2016 a março de 2017)

No Brasil: inédito

Nota dos editores:  5.0


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