O retorno de X-O Manowar ao planeta Terra

2.0

NOTA DO AUTOR

Após a espetacular fase de Matt Kindt no título do bastião da Valiant e um hiato de praticamente 2 anos sem publicações da franquia, o príncipe visigodo do século V finalmente está de volta a Terra neste novo volume de X-O Manowar. A tarefa da equipe criativa formada pelo autor Dennis “Hopeless” Hallum com arte de Emilio Laiso em seguir uma das fases mais bem sucedidas do Aric de Dácia na Valiant é extremamente ingrata e digamos que este volume começa de maneira nada impressionante.

Este volume de X-O Manowar para quem não conhece nada do personagem acaba sendo uma introdução muito mais suave que qualquer outro título já publicado pela editora. Logo na página de créditos há uma sinopse bem sucinta que diz praticamente tudo que uma pessoa não familiarizada com a franquia precisa saber sobre o quadrinho: príncipe visigodo do século V abduzido e escravizado por alienígenas que se rebela de seu cativeiro e entra em contato no espaço com uma armadura sagrada e posteriormente retorna a Terra para os tempos atuais. Pronto. Isso é X-O Manowar.

Partindo deste ponto o roteirista explora de maneira muito forte o tema “homem fora de seu tempo” tão comum em quadrinhos e filmes que com 4 páginas de leitura a história praticamente entra em modo piloto automático. A relação entre a inteligência artificial que habita a armadura Shanhara e Aric também não tem absolutamente nada de novo – aquela velha história da I.A. debochada com o usuário que também já foi mostrada milhares de vezes em cultura pop. A tentativa de aproximação do personagem do mundo real e urbano o colocando em um bairro da periferia é até louvável, mas feita de forma rasa e altamente previsível. Não há peso e não há motivo para se importar com este elenco de apoio.

De resto temos um herói com nível de poder absurdo sem saber o que fazer para proteger a Terra e entrando em conflito com autoridades. Isso, apesar de também não ser novidade, enfim seria um aspecto mais interessante se fosse explorado de forma mais séria – que não é o caso aqui.

Não há uma ameaça aparente ao protagonista excluindo a clássica página do vilão que observa de algum esconderijo com um capanga robótico (outro clichê). Então não há um arco estabelecido logo de início. A arte de Emilio Laiso acaba se destacando por conta de um roteiro bem fraco. O artista consegue mostrar certo grau de flexibilidade em caracterização de páginas alternando entre o urbano e o épico de ação com facilidade e consistência. Boa caracterização de elenco. Enquadramento bem fluido e leve e um design de página que tenta dar movimento ao roteiro morno de Hallum.

Este volume de X-O Manowar talvez tenha a edição de estreia mais fraca da franquia desde que o personagem foi criado. Há muito pouco aqui que faça um leitor que não é fã do personagem ou da Valiant retornar para uma segunda edição. Apesar da arte competente o roteiro é muito carente de originalidade e precisa urgentemente introduzir algum tema relevante ou corre risco de tornar este título uma página esquecida na história recente da Valiant.

 

  

Roteiro: Dennis "Hopeless" Hallum

Arte: Emilio Laiso

Editor: Heather Antos

Capa: Christian Ward

Publicação original: X-O Manowar (março de 2020)

No Brasil: ainda não publicado

Nota dos editores:  2.0


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