Space Opera em Quadrinhos

4.0

NOTA DO AUTOR

Coletânea é sempre aquilo, né? O resultado dificilmente será 100% para o leitor – e talvez essa seja a graça.

Em Space Opera em Quadrinhos, temos oito contos de 20 páginas, cada um com um roteirista e um desenhista, criando um panorama dos mais variados. Nesse caso específico, a arte se sobressai aos roteiros: são artistas de estilos completamente diferentes e apenas uma história destoa na arte (ao menos para o meu gosto). Nas outras sete, os desenhos se encaixam como uma luva na história, e destaco aqui dois artistas: MJ Macedo e Carlos Sekko.

Adianto logo que a edição está bem caprichada, com um papel muito bom (o gibi é todo em preto e branco exceto pela belíssima capa de Ioannis Fiore), formato um dedinho menor que o americano, ficha com os autores e tudo mais. Ponto baixo seria a falta de uma separação entre as histórias – claro, pela mudança brusca na arte você percebe de cara, e é compreensível se foi por motivos de baratear a produção e tal. Deixar de enrolar?

A coletânea abre com uma história interessante e bem triste do Tiago P. Zanetic com uma arte marcante do citado Ioannis Fiore. Zanetic conta uma história de invasão planetária que não se passa na Terra, mas nem por isso é uma invasão menos violenta e destruidora. O final, ainda que óbvio, é do tipo que te deixa pensando um pouco nos rumos que estamos tomando, caso não te deixe puto da vida. Para aliviar, Jun Sugiyama e Kazuo Miyahara contam uma história de mecha com uma batalha espacial daquelas, com muita porrada, sufoco, uma ameaça desgraçada e um final para acalentar o coração. A arte de Miyahara compensa na ação a falta de cenário em algumas páginas. Após essas duas histórias, acredito que a coletânea te fisgou.

“Starcrust”, de Larissa Palmieri e Eder Santos, é uma das mais violentas de Space Opera em Quadrinhos, com porradaria honesta em um plot bem batido. Aqui a arte fica devendo bastante, com alienígenas estilo insetóides que já vimos aos montes (imagem de capa desse review). Na sequência, Luís Carlos SousaKarol Rocher Knight nos trazem um conto de problemas familiares, envolvendo três gerações de terráqueas. O andamento da narrativa não me pegou, com algumas inserções óbvias, e a arte é OK, não se sobressai pelo lado space opera da coisa. Em “A Queda”, Rafael LeviBraziliano me perderam de vez, com a história mais “viajandona” do gibi. Ainda que seja uma leitura rápida, o conto parece perdido em algumas passagens, com um final que tenta te surpreender. O problema maior é a arte, em alguns momentos confusas, em outros quase preguiçosa.Space Opera em Quadrinhos volta aos eixos nas três últimas histórias. “Protocolo 66”, de Alessio Esteves e do citado MJ Macedo, é uma trama bem simples de intriga política em alguma galáxia distante, porém bem conduzida e que, mesmo óbvia ao final, é tão bem contada que você se pega imerso naquele universo. Macedo abusa nos enquadramentos, servindo bem ao conto, com alienígenas bem marcantes (com os dois pés fincados em histórias de monstros) e um panorama visual daqueles que te prendem à história (a primeira imagem). Mas é em “Pecado Original”, de Fernando Barone e Carlos Sekko, que temos a melhor história do volume. A arte de Sekko é bem simples, mas o cara capricha nos cenários e nas cenas de ação, e sua narrativa é daquelas que te deixa com um sorriso na boca (essa imagem acima). O roteiro de Barone é igualmente simples, mas uma delícia de leitura, dessas que você quer mais e mais daquele universo. Fechando a edição, Angelo Dias e Giovanni Pedroni contam a história mais divertida e mais space opera do volume. Personagens cativantes, ação desenfreada, reviravoltas sacanas e o final te faz pedir por mais (imagem abaixo).

Se você procura uma boa coletânea de ficção científica, feita por autores nacionais que não se prendem ao ufanismo e apenas contam boas histórias do gênero, esse é o seu gibi. Diversão garantida, para ler na rede numa tarde de domingo.

 

  

Roteiro: Tiago P. Zanetic, Jun Sugiyama, Larissa Palmieri, Luís Carlos Sousa, Rafael Levi, Alessio Esteves, Fernando Barone e Angelo Dias

Arte: Ioannis Fiore, Kazuo Miyahara, Eder Santos, Karol Rocher Knight, Braziliano, MJ Macedo, Carlos Sekko e Giovanni Pedroni

Editor: Raphael Fernandes

Capa: Ioannis Fiore

Publicação original: fevereiro de 2017

No Brasil: fevereiro de 2017

Nota dos editores:  2.0


  iTunes   Fale com a gente!

Deixe uma resposta