Mondo Urbano – 10 Anos

5.0

NOTA DO AUTOR

No Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) de 2009, me deparei com um fanzine cuja capa, de tão linda, me obrigava a adquiri-lo: era “Encore”, última parte de Mondo Urbano. Aquele, coincidentemente, era meu segundo FIQ e também a segunda participação no evento do trio Mateus Santolouco, Eduardo Medeiros e Rafael Albuquerque. Eu havia ido em 2005; eles, em 2007, conforme relatam numa entrevista ao final do volume de Mondo Urbano – 10 Anos, lançado ano passado, pela Mino, na Comic-Con Experience (CCXP). Eu nem cheguei a ler “Encore” e fui atrás das outras edições – vários amigos estavam comentando aquele negócio. Mondo Urbano era O assunto naquele FIQ.

Agora, dez anos depois, as edições são compiladas num volume de 136 páginas, formatão, papel de alta gramatura (todo P&B) e capa dura. Já retorno a esses detalhes (a editora norte-americana Oni Press lançou, anos atrás, uma compilação semelhante).

A história, para quem não sabe, é daquelas em que vários personagens passeiam pelo mesmo cenário e vivenciam os mesmos eventos. No caso, um show do famosíssimo power-trio de rock De-Mo. Como o nome entrega, temos uma história urbana, numa grande cidade, com personagens típicos desse ambiente: adolescentes comuns, trabalhadores, traficantes, músicos, fãs, comerciantes, mendigos e bares lotados com música alta e barulhenta. A história gira em torno do líder da banda, Van Hudson, que supostamente fez um pacto com o diabo para alcançar o sucesso – e uma hora esse pacto precisará ser pago, com muito sangue.

Sim, você já viu esse enredo antes e sabe que vai terminar em desgraça e morte – onde absolutamente ninguém sairá da mesma forma que começou -, então por que ler algo desse tipo novamente?

Primeiro porque é muito bem contada, com personagens cativantes (e olha que são vários), diálogos afiados e uma narrativa tão ágil que você só vai largar quando terminar as mais de 100 páginas do volume. Tudo isso, é claro, temperado pelo traço distinto e marcante do trio Santolouco, Medeiros e Albuquerque. Provavelmente você já topou com algo deles nas suas andanças, Caso não, vá sem medo. Eles estão, fácil, entre os cinco melhores desenhistas do Brasil na atualidade. Sim, os três. Cada um, à sua maneira, acrescenta algo à história, fazendo que artes tão diferentes se encaixem em cada momento da história. É clara a mudança de estilo – e como ela muda na hora exata, servindo à história: Mateus Santolouco tem um estilo forte e característico, desses que você se pega admirando; Rafael Albuquerque é energia e dinamismo puro, aliado a um desenho esteticamente bonito e sem rótulos; e por fim, Eduardo Medeiros – que tem o estilo mais diferente dos três – traz uma leveza estilizada e única, carregada de sentimento: você bate o olho e sabe que é uma arte dele.

Quanto à edição, bem… Não pretendo entrar em polêmica à toa. Capa dura é uma realidade tão massificante nos quadrinhos nacionais que qualquer opinião sobre parece se perder no mar de publicações. Eu estranho o fato de um gibi tão rock and roll (e isso são os autores quem classificam), nascido do underground, vendido pelos próprios quadrinistas e passado de mão em mão 10 anos atrás seja republicado num formato tão luxuoso (e caro). Veja bem, não estou desejando uma edição capenga e mal feita; longe disso: comemorar 10 anos de um gibi que merece e muito uma republicação, é algo para ser celebrado mesmo (e não sair mais de catálogo), e em grande estilo. Só questiono os caminhos e opções que as editoras nacionais buscam, comercialmente falando.

Sinto, mas me causa estranheza, por tudo que falei acima. No entanto, isso não estragou a festa para mim: comprei no lançamento, preço cheio, e o faria novamente.

 

  

Roteiro: Mateus Santolouco, Eduardo Medeiros e Rafael Albuquerque

Arte: Mateus Santolouco, Eduardo Medeiros e Rafael Albuquerque

Editor: Janaína de Luna

Capa: Mateus Santolouco

Publicação original: dezembro de 2019

No Brasil: 

Nota dos editores:  2.5


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