Fora da Pilha #03

Olá, pessoal!

Sou só eu, ou vocês também estão tendo cada vez mais dificuldade em dar continuidade aos seus hobbies? Deixa eu explicar melhor: eu sempre li gibis e acompanho séries, há um bom tempo, e sempre consegui manter tudo isso mais ou menos em dia, mas, de uns 2 ou 3 anos pra cá, eu realmente não consigo acompanhar tudo.

Não vou nem ir tanto tempo pra trás, na época que eu era um pequeno infante, quando comprava os formatinhos da Abril com o troco do lanche (na verdade, nunca fiz isso, porque tinha assinatura dos pacotinhos, mas você entendeu meu ponto), mas, sim, desde que comecei a trabalhar fora. Trabalho com meus pais desde os 14 anos e comecei a trabalhar fora com uns 21 ou 22 anos.

Eu parei de colecionar quadrinhos com as edições Premium da Abril. Parei por dois motivos: não consegui renovar a assinatura dos pacotes e os gibis não chegavam em Maceió, por causa da famigerada distribuição setorizada. Larguei de mão e fui viver a minha vida. Acompanhava uma coisa ou outra pela internet, e foi por ali que soube que a Panini iria assumir a publicação da Marvel no Brasil. Um belo dia, vi Origem #01 na banca e resolvi voltar a comprar. As mensais já estavam no número 2 mas não me importei e comecei dali. Tive um pouco de dificuldade em voltar a acompanhar as histórias, mas nada que atrapalhasse. Pouco tempo depois, a DC estava também na Panini e aquela minha veia colecionista voltou a dar sinal de vida. Colecionava TODAS as mensais que saíam, além das minisséries e edições especiais. Era o chamado verme. E, pasmem, eu conseguia dar conta de tudo que comprava. Não tinha uma pilha imensa de quadrinhos pra ler. Tinha vezes que eu realmente não tinha nada de novo pra ler.

Um pouquinho depois disso, comecei a me interessar por séries americanas, todo aquele esquema de temporadas e tal. As primeiras que acompanhei (entenda: baixar) foram 24 Horas e Lost. Como a minha internet não era essas coisas todas, baixava em formato .rmvb. A qualidade da imagem era um lixo, mas o monitor não era essas coisas todas e tinha a vantagem de já vir com a legenda. Acompanhava religiosamente toda semana e dificilmente deixava acumular. No máximo, duas semanas.

Mas, de um tempo pra cá, eu simplesmente não consigo acompanhar tudo. Eu parei de colecionar mensais em 2012, quando mudei de emprego e ia precisar passar a semana em uma outra cidade no interior, voltando pra casa só nos finais de semana. Decidi comprar só edições encadernadas. Hoje continuo assim, mas a demanda de encadernados aumentou muito, tanto em publicações de banca, como de livrarias, e o negócio começou a acumular. E eu tenho um TOC em relação aos meus gibis: desde que comecei a catalogá-los, eu não consigo guardá-los (ou colocá-los na estante, no caso) antes de catalogar; e eu só os catalogo depois de ler. Então, eu costumo ler meus gibis na ordem em que os compro.

Eu já desisti de catalogar há algum tempo. Usava o SICREQ, mas agora uso apenas o Guia dos Quadrinhos, que me serve muito bem, principalmente pra saber se algo que eu vi na banca eu já tenho ou não – mas continuo lendo na ordem que compro. No momento que essa coluna está sendo escrita, eu estou lendo gibis que eu comprei no final de novembro de 2016. Eu ainda estou chegando nas compras da CCXP daquele ano.

Mas isso tem uma outra explicação, além do tempo: quem escuta nossos podcasts (principalmente o Pilha de Gibis) sabe que meu tio tem uma banca de revistas, e essa banca era da minha avó antes dele. Essas revistas que não coleciono, eu pego pra ler, mas depois devolvo pra banca. Poderia ler essas histórias em scans, mas eu realmente prefiro o papel. Como essas revistas precisam ser devolvidas, eu acabo lendo elas mais rapidamente, pra devolver o quanto antes. Desde o ano passado eu estou mensurando o tanto de gibis que leio usando minha conta no Instagram e aproveito para fazer pequenos reviews. Ano passado eu li 314 gibis. Esse ano, estou indo um pouco além. Continuo fazendo isso no Instagram, mas estou tentando mensurar quantos desses gibis estavam na pilha. Até agora, li 45 gibis esse ano, mas apenas 9 eram da pilha (e, no Twitter, estou mensurando o quanto compro no ano, já vai em 17).

 

Com as séries, isso tá até pior. The Walking Dead (TWD), Flash, Arrow, Legends of Tomorrow, Agents of Shield, The Big Bang Theory (TBBT) eu assistia assim que saía. TWD atrasava um pouco, porque acompanho com minha esposa, mas as outras eu estava rigorosamente em dia. As séries da Marvel no Netflix eu assistia em um final de semana. Agora, TBBT eu larguei de mão, TWD fiquei em dia agora e as outras parei na temporada passada. Com o advento do streaming, fica mais fácil esperar chegar no Netflix do que procurar um torrent, colocar pra baixar, procurar legenda, passar o episódio pra um pen drive ou HD externo e ligar na TV pra assistir. Mas mesmo assim a coisa não funciona direito. Ainda não terminei Justiceiro, por exemplo.

Ainda invento de comprar um videogame (que raramente ligo. Às vezes, passo mais de mês sem ligá-lo) e, de quebra, tem site e podcast pra cuidar. Quando chego em casa do trabalho, tem tanta coisa diferente que eu posso fazer que eu acabo não fazendo nada. Só ligo a TV no Trato Feito e fico esperando o tempo passar. Acho que eu teria que me condicionar e tentar estabelecer metas. Segunda, leio gibi; terça, vejo um episódio de uma série; quarta, escrevo pro site ou me preparo pra um podcast; quinta, jogo videogame e assim vai. Pode funcionar por um tempo. Mas, no final, a pilha de gibis (e séries, filmes, jogos e podcasts) só aumenta!

Enquanto isso, na Pilha de Leitura…

Li Tom Strong vol. 3 recentemente. Gibi muito divertido do velho mago de Northampton em parceria com o Chris Sprouse. Tom é um herói científico, com referências a Era de Ouro e quadrinhos pulp. Ficção Científica no talo, mas sem parecer chata, ou uma viagem muito grande onde você precisa conhecer todo esse universo para poder aproveitar melhor a leitura. Alan Moore consegue deixar tudo bastante leve, até. Os desenhos do Chris Sprouse ajudam a manter esse clima. Esse clima descompromissado é exatamente o oposto da proposta do Moore em Promethea, por exemplo.

Lendo essas edições (a Panini publicou até o volume 6, que ainda estão na Pilha) me faz pensar o que o barbudo faria com um Quarteto Fantástico, por exemplo, ou até um Desafiadores do Desconhecido. Pena que não viveremos pra ver isso chegar.

Grande abraço e até a próxima!


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