Gibis que precisam ser publicados no Brasil: Black Magick

A essa altura do campeonato, você já sabe que o Greg Rucka escolhe personagens femininas fortes para protagonizar suas histórias. Isso vem desde quando escrevia revistas mensais na DC Comics: ele revolucionou a Renee Montoya e possui uma passagem memorável (e uma outra esquecível) pela série da Mulher-Maravilha. Em seus trabalhos autorais, a coisa não é diferente: acompanhamos grandes mulheres em Whiteout (Carrie Stetko), Jogos de Poder (Tara Chace) e mais recentemente com Lazarus (Forever Carlyle) e nesse Black Magick, que é protagonizado pela detetive Rowan Black.

Então, sim, Black Magick tem dois dos elementos mais fortes da escrita do Rucka: trama policial e uma heroína. O que ele fez de diferente? Incluiu elementos da religião wicca: Rowan Black é uma bruxa. Dessa forma, vamos acompanhando duas tramas paralelas que estão em rota de colisão: Rowan e seu parceiro, Morgan, ambos detetives da divisão de homicídios da polícia de Portsmouth, desvendando um crime que vai incomodar Rowan bastante, suas atividades como bruxa e seu passado; e o que parece ser uma luta entre grandes famílias de bruxas, com destaque para Alex Grey, a líder de um grupo de bruxaria da cidade.

O segundo arco foi concluído apenas em março desse ano e o ritmo da publicação lento não fez bem à série: começou no final de 2015 e agora saiu o décimo-primeiro número. As últimas edições vêm saindo num ritmo bimestral e houve um hiato de quase um ano e meio entre os dois primeiros volumes. Além disso, o ritmo da história também é lento. Um grupo chegou na cidade e ainda não mostrou a que veio: seguem investigando Rowan. O assassinato do início segue praticamente em banho maria, e Alex parece cada vez mais perdida. No meio disso tudo, vemos boas ideias e ótimos elementos.

Se nada disso te convenceu, vamos logo ao ponto alto da série: os desenhos espetaculares da Nicola Scott, a australiana que Greg Rucka escalou para o seu retorno à DC Comics, quando começou mais uma fase na mensal da Mulher-Maravilha, no Renascimento, onde Scott ficou por seis meses e Rucka, um ano. (Aliás, o destaque dessa derradeira passagem do Rucka pelo título da Maravilhosa são os desenhos: quinzenal, a série era alternada pela Scott e pelo britânico Liam Sharp. Em seguida, a brasileira Bilquis Evely assumiu os desenhos.) Nicola Scott começou trabalhando em outras editoras, como Dark Horse e IDW, até assumir Aves de Rapina antes d’Os Novos 52. Durante a série A Noite Mais Densa, trabalhou com Rucka numa minissérie da Mulher-Maravilha.

Black Magick não é seu trabalho mais longevo. No entanto, é seu trabalho mais bonito. Todo produzido em tons cinzas, aqui Scott abusa das expressões faciais, de painéis belíssimos e mostra que sua narrativa está impecável. É torcer para que os títulos da Image Comics se consolidem de vez no Brasil e, numa dessas, quem sabe Black Magick desembarque por aqui.


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