Acabei de Ler #02

Event Leviathan #05

Esse gibi representa perfeitamente a relação amor/ódio que muito leitores mantêm com Brian Michael Bendis. O sujeito sabe escrever uma boa história, usa muito bem até os clichês, domina como poucos os diálogos, mas pelo fato de trabalhar em uma indústria de produção voraz e de não ter muitos pudores em botar o nome em projetos editoriais ou mesmo pra cumprir tabela, acaba se queimando com “obras”, tipo “Guerra Civil II” na Marvel. Eis que em meio aos bons trabalhos que vem fazendo com as duas mensais do Superman e outros na DC, inventou de fazer um evento. E ele NÃO tem exatamente um bom histórico com eventos.

Já estamos na quinta edição de Event Leviathan, que está se mostrando uma bela picaretagem. Foram quatro edições chatinhas para, enfim, termos UM bom capítulo nesta quinta edição. Os cortes das cenas criaram um ritmo legal, os diálogos estão muito bons e mesmo sem termos a tão aguardada revelação de quem é o encapuzado de face mecânica liderando a organização Leviathan, a revista acaba sem que você sinta-se engabelado, como foi com as quatro anteriores. Tem mais de uma dúzia de personagens, mas cada um com sua voz bem caracterizada, as interações valeram à pena a leitura e deixaram a vontade de ver o Bendis em alguma mensal de super equipes (além da Legião de Super-Heróis, que está para estrear), se possível uma da Liga da Justiça. É o Bendis que gostamos e odiamos, novamente fazendo suas bendizices.

Superman #16

Aqui, Bendis conta uma história que poderia ter sido bem mais emocional, mas faz apenas uma meia-água. Jon Kent reencontra Damian Wayne, depois se despede de Kal-El e parte pro século XXXI com Satúrnia, da Legião dos Super-Heróis. Assim, desse jeito mesmo. Tem recapitulação de tudo que aconteceu com o Rapaz de Aço, umas conversas superficiais sobre a decisão de Jon em se juntar à Legião e só. Não é ruim, nem pretensioso, apenas útil pra quem está acompanhando. Teje bão!

Hawkman #17

Se você é um leitor daqueles que curte gibi de super-herói sem pretensão ou firulas, apenas uma trama que vai linearmente do ponto A ao B, uma bobagem divertida e que atende a quase todas as convenções do gênero, vai gostar bastante do que Robert Venditti está fazendo nesse segundo ano da mensal do Carter Hall. Pat Ollif, com um traço menos estilizado do que no começo da carreira, deixando os desenhos mais rascunhados, só aumenta a sensação de historinha esquecível porém simpática. Vá, leia e seja feliz com esse saquinho de pipoca Bokus em forma de gibi.

Doctor Doom #1

AGORA, SIM, TEMOS UM GIBI DE PRIMEIRA. Victor Von Doom ganha mensal própria e, sendo bem sincero, merecida. O personagem é fascinante, quando deixam de lado a caricatura de vilão dando gargalhada malévola e falando de si mesmo como se fosse um canastrão aspirante ao teatro. Sem muita delonga, temos uma trama direta e simples, na medida para um protagonista que em suas melhores histórias caminha em uma linha cinza entre bem e mal. Da mesma forma, o artista desse gibi se mostra bem à vontade com um roteiro na medida pro seu ponto forte. Salvador Larroca geralmente decepciona em gibis puramente super-heroicos, com poses e cenas de ação que ele não consegue transpor, principalmente, por sua incapacidade de codificar anatomia para as convenções dos supers. Mas aqui temos uma história onde a maior parte das cenas é de diálogos ou interações, portanto ele manda muito bem nesse tipo de sequência. Tudo acontece ligeirinho, mas não corrido. Tem subtramas, mas nada que gere dúvida demasiada. E os diálogos são promissores, tem boas sacadas.

Agora para ser sincero, não faço ideia de quem seja esse roteirista, Christopher Cantwell. “Mim julgue”, diria um amigo. Mas que o cabra começou bem essa série, começou.

The Batman’s Grave #1

Warren Ellis, Bryan Hitch, Kevin Nowlan. Em um gibi do Batman. Claro que todo mundo surtou com esse anúncio, há alguns meses. E com toda razão. Eis que sai a primeira edição e toda a empolgação cai por terra, mas isso da melhor maneira possível. Primeiro, esqueça a parceria anterior de Ellis e Hitch, em The Authority. Esse gibi do Morcego NÃO É um blockbuster. Segundo, esqueça Fell, que saiu aqui no Brasil com o título traduzida pra Cidade Selvagem. NÃO é uma história visualmente sombria e dark.

Ellis, Hitch e Nowlan surpreendem de certa forma, ao entregarem uma história urbana de detetive, com um visual limpo, iluminado, bem “realista”, na falta de termo mais adequado. Também não se envergonham em usar (muito bem) uma das marcas registradas do Morcego: o uso da tecnologia, que pra muitos leitores deveria ser o último recurso do vigilante de Gotham. E, do começo ao fim da história, temos algo que intriga mas que pode parecer desnecessário depois de oito décadas de Batman… Um questionamento da missão de Bruce Wayne. Agora temos Alfred fazendo aquelas perguntas ou provocações, sobre o fato de um bilionário perseguir e dar umas lapadas em bandidos na cidade mais violenta dos EUA na DC, quando poderia usar essa grana toda pra acabar com uma das supostas causas da criminalidade, a desigualdade social.

Não é o que esperávamos; mas nessa trinca de autores, confiamos.

Strikeforce #1

Mas me digam mesmo, qual a necessidade de mais uma superequipe de herois/antiheróis salvando o mundo? E, pior, usando a mesma fórmula que já era velha nos anos 1970? Olha só pro nome desse gibi: Strikeforce. Não tinha como ser mais genérico. E o mote? Heróis se juntam ao acaso pra enfrentar uma ameaça, bem, genérica. Pois o negócio funciona surpreendentemente bem e rende uma boa estreia. A roteirista Tini Howard e o artista German Peralta juntam um punhado de personagens legais e com potencial pra boas histórias, usam um fio solto da saga “War of Realms”, recorrem ao velho e manjado recurso dos protagonistas que precisam partir pra clandestinidade e, pronto, temos um começo divertido e promissor. Um gibi legal e honesto, mostrando que sempre teremos espaço pra mais uma superequipe fazendo zuada no meio do mundo.

Black Panther and The Agents of Wakanda #1

Um conceito redundante, uma equipe criativa de operários, mostrando que o editorial da Marvel não sabe explorar as oportunidades criadas pelo Marvel Studios. Jim Zub e Lan Medina são esforçados. Pantera Negra e alguns bons personagens rendem boas histórias. A presença crescente de Wakanda nos cenários super humano e geopolítico do Universo Marvel é muito interessante. Mas se a intenção era capitalizar em cima do sucesso do primeiro filme do Pantera e sobre a expectativa do segundo, anunciado para 2022, o resultado ficou abaixo do esperado.

A revista não é ruim. É simples e direta. Somos apresentados ao conceito dos Agentes de Wakanda, criado por Jason Aaron na mensal dos Vingadores, em meio às missões da equipe, aos primeiros atritos entre integrantes, um pouco das personalidades de cada um deles e, por fim, em uma sequência razoável de ação, um gancho na última página que traz de volta um personagem que sempre cria expectativas mas nem sempre é bem aproveitado. Gibi simpático, leitura ágil, nada de condenável ou chato, mas não empolga como seria de se esperar de uma mensal que deveria ter aspirações maiores.

 


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