Thor, o Pai de Todos e arauto do trovão. E o Knull?

Confesso que minha tara na tara do Donny Cates está ficando preocupante: todo gibi dele que leio (e as chances de acertos beiram os 100%) fico esperando a hora do Knull aparecer. Curiosamente, sua passagem pela revista do Venom, na qual surge o vilão, foi o único trabalho dele que não curti muito – mais por culpa do personagem do que pelo seu esforço em fazer do Venon algo que valha a pena (falamos dessa revista aqui e aqui). Independente do deus simbionte, Cates vem brincando com o lado cósmico da Marvel e o resultado é espetacular. Os doze números de Guardiões da Galáxia e a minissérie Silver Surfer: Black falam por si só. Material de primeira: quando aparecer por aqui, leia sem medo.

Agora, em 2020, a Marvel passou o Thor pro Cates trabalhar, após uma passagem de 350 anos do Jason Aaron (aliás, não li nem 2% dessa passagem, então já sabe, né?). Thor agora é o rei de Asgard e não parece muito confortável com essa nova função. O escritor explora esse novo status do filho de Odin sem muita pressa, mas com muita competência. Me fisgou na hora esse guerreiro que parece não querer ser rei – ou melhor, não parece muito confortável com o cargo e todas as questões e responsabilidades que vieram junto. No entanto, ainda na primeira edição, o novo rei deixa seu reino e embarca numa nova aventura. E foi aí, somente aí, que meu “knullmetro” começou a apitar.

Galactus aparece em Asgard trazendo péssimas notícias sobre um mal destrutivo que se encaminha para o reino, um mal poderosíssimo responsável por destruir o universo original do devotador de mundos: o Inverno Negro. A destruição do universo vem de uma forma metafísica e cósmica que tudo consome, algo semelhante aos males lovecraftianos. Percebeu? Ameaça cósmica, negra, destruidora… Impossível não pensar no Knull. Mas deixemos de lado o deus simbionte.

Para vencer o Inverno Negro, Thor aceita a função de arauto parte pelo universo, numa busca por cinco planetas específicos para alimentar Galactus e deixá-lo forte suficiente para derrotar a ameaça. Donny Cates explora os conflitos entre o deus do trovão e se outrora rival, num nível um pouco diferente da dinâmica com o Surfista Prateado, mas sem fugir muito daquilo de destruir planetas, mas as vidas importam. O melhor é que para assumir a nova função, Galactus aumenta os poderes do rei de Asgard e o arco é conduzido mais por esse embate inevitável do que pela ameaça cósmica. (Falamos desse começo num Pilha de Gibis.)

Por fim, um Nic Klein inspiradíssimo na arte deixa esse sexto volume da mensal do Thor ainda melhor. Seu traço mais estilizado, em alguns momentos bem sujos, aliado as cores do Matt Wilson confere uma grandiosidade que o arco pede. Além disso, ele exprime bem as pirações cósmicas e viagens pelo universo que o Cates tão bem domina. Sabe aqueles momentos em que roteiro e arte combinam perfeitamente? Esse é o caso. Talvez eu tenha me empolgado em demasia com apenas quatro edições, mas os trabalhos pregressos da dupla não vão me deixar mentir. Seja como for, a empolgação com essa nova fase do agora Pai de Todos é justificadíssima, com ou sem Knull.


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