Mudança de hábitos

A pandemia segue, mas a quarentena se foi. Comércio aberto, shopping funcionando, trânsito e as bancas de revistas voltando à sua normalidade. A distribuição segue problemática ao nível da pandemia – o novo normal – e não no antigo padrão ao qual estávamos acostumados. E sabemos: nerd colecionador detesta mudanças em sua rotina. Com isso, temos uma dupla desorganização, o que deixa aquele checklist mensal (bimestral?) da Panini, que recebemos pelo zap enviado por amigos, ainda mais maluco e sem sentido. Na verdade, faz é tempo que ele serve para sabermos que tal material será publicado. Depois é esperar que o mesmo apareça.

Num Pilha de Gibis recente, falamos um pouco sobre nossos novíssimos hábitos de compra. Àquela altura, com comércio fechado, dependíamos do dono da banca mandar os lançamentos aleatórios no grupo do zap, escolhíamos o que queríamos no privado e esperávamos a entrega (uma espécie de “iFood de gibi”). Após receber e higienizar, mandávamos no grupo nossas compras. No entanto, me parece que o tempo verbal pode estar errado. Ao menos para mim, essa realidade de iFood de gibi veio para ficar.

No mesmo programa, falamos sobre um dos problemas de não ir à banca: descobrir coisas que saíram/chegaram e não sabíamos. Eu mesmo só compro Tex (seja qual for o formato) em idas à banca. Cansei de ir comprar algo específico e sair de lá com algum exemplar de Tex e não o que fui pegar. E o meu fornecedor não envia (ou não tem chegado) os fumetti da Mythos. E agora? Como lerei meu Tex sagrado?

Com internet a mão no celular, é simples, não é mesmo? Uma busca rápida é possível descobrir os lançamentos da editora e daí é só fazer a encomenda. Esse é o meu novo normal. Aquele “charme” de folhear coisas aleatórias numa banca de jornal chegou ao fim, pelo visto. (O papo com o jornaleiro segue, dessa vez via zap.) Se vai esse antigo costume, outros surgem. O jornaleiro sempre avisa quando fará pedidos, por exemplo, sendo possível encomendar algo que não está disponível, como números atrasados. Promoções acontecem com frequência, fidelização em troca de descontos e até revista mensal de graça.

Muito cedo para afirmar que é um caminho sem volta. Mas confesso que ando gastando muito mais nesse momento com esse serviço do que caçando coisas na Amazon. A concorrência ainda é desleal, claro, os descontos e promoções da Amazon a muito deixaram de ser considerados agressivos: esses sim são o “novo normal”. Antes de fechar negócio, ainda dou aquela olhada no aplicativo da Amazon porque vai que. Por outro lado, esse contato “humano”, por mais bobo que pareça, anda fazendo uma boa diferença nesses tempos de pandemia e quarentena.


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