CCXP 2016 Parte 2: os convidados internacionais

Segue nosso relato, não sobre o que vimos de melhor (até porque tinha muita coisa massa), mas, sim, sobre o que lembramos do artists’ alley, o coração da CCXP. Assim que chegamos no local, na quinta-feira, demos logo de cara com Jae Lee e a June Chung. Após o cancelamento na CCXP 2015, o casal mostrou-se simpático e solícito. Antederam aos fãs, tiraram fotos e venderam seus belíssimos prints. Para aqueles que queriam sketches “elaborados”, mas sem gastar nenhum tostão, Jae Lee não fazia muita cerimônia: deve ter sido o sketch mais rápido que vimos na vida (ficamos até com dúvida se era um autógrafo ou um sketch). Aos que desembolsaram e JUSTAMENTE pagaram pelo trabalho do casal, ganharam desenhos lindíssimos. Sensacional vê-los em ação ao vivo.

Após Jae Lee concluir um desenho, June Chung coloria logo em seguida; e, mais uma vez, é impressionante vê-la trabalhando, ainda que de forma rápida, ali, rodeada de fãs. Mesmo nessas condições, o trabalho final ficava incrível (pra dizer o mínimo), deixando todo mundo de boca aberta. Por fim, vale um registro que presenciamos: Lee é tão simpático, que até assinou a capa de um Cavaleiro das Trevas (Edição Definitiva da Panini) para um jovem (ele não tinha nem 15 anos), mesmo avisando ao fã que aquela arte foi feita por Frank Miller e não por ele. Ao menos, o cara saiu de lá felizão e fodam-se os especuladores e os especialistas.

 


Se o casal Lee & Chung deu um show de simpatia, o mesmo não podemos dizer da lenda britânica Alan Davis. Não conversou com quase ninguém (nem sequer parou e ouviu os fãs) e assinava quase de má vontade. Foto? Não era fácil. Enquanto você pedia por uma, ele adiantava a fila e já pegava o próximo trabalho para autografar, deixando você com cara de tacho. Contra aqueles folgados sem noção (que chega com pilhas de gibis), limitou os autógrafos a, no máximo, dois exemplares. Nada de trazer toda sua coleção de Excalibur! (Apesar de antipático, apoiamos essa medida. Tem fã que não se toca mesmo.) Enfim, a reclamação foi geral (até a mulher do staff que o acompanhava me confidenciou que ele é muito chato) e o resultado foram filas cada vez menores. Entre as pessoas que conversamos, apenas uns dois não reclamaram do Davis.

Por sorte, Davis foi a exceção. Seu companheiro de longa data, Mark Farmer, é a simpatia em pessoa. Divertido, sempre te recebia com um sorriso no rosto. Tirou fotos divertidíssimas e quase não devolve a edição que levei para ele autografar de Legião do Superboy. Disse-nos que adora o Superboy (o que vale, claro, e não o merdão do Connor Kent)! COMO NÃO AMAR?! Além de autógrafos e fotografias, ele estava vendendo uns desenhos feitos ali, na hora. Esquema esperto da dupla: você compra o desenho do Alan Davis e depois ia pra mesa ao lado, pro Farmer arte-finalizar ali na sua frente (pagando, é claro. Os caras não são ONGs ambulantes).

 

 

E o que falar dos prints do Yanick Paquette? Fãs se aglomeravam em frente à sua mesa para ver o trabalho do cara, pegar autógrafos e tirar fotos. Simpático, ficou folheando um exemplar de Dark que levamos, admirado com o formato; mostramos a ele que seu Monstro do Pântano era a última história. Não faltaram edições de Mulher-Maravilha: Terra Um pro cara assinar. Falando nisso, sejamos justos: a Panini conseguiu lançar esse encadernado a tempo, aproveitando a vinda do cara ao Brasil (na fila do caixa do stand da editora, sempre tinha gente com um exemplar). Não deve ser muito difícil ganhar dinheiro assim, né? Basta um planejamento mínimo, Panini. Mínimo.

 

 

Peter Kuper estava autografando seu novo trabalho, Ruínas, lançado aqui pela Marsupial Editora, e o que mais os fãs levassem (vi pouca gente com Pau e Pedra, lançado aqui pela Quadrinhos na Cia). Atencioso e bem calado, deve ter sido o autógrafo mais lindo do evento. Usando aqueles lápis coloridos que tem uma única ponta, o cara fazia uma espécie de sketch lindíssimo, que compensava toda a demora da fila. Havia também uma pasta, onde ele estava vendendo uns originais de Spy vs. Spy, mas é melhor você nem perguntar pelo preço…

 

 

Um pouco mais tarde, apareceu por lá o Mahmud Asrar. Gente boa, tinha uns prints MASSA PRA CARALHO! Se você ainda não conhece a arte do cara, a fase dele nos Vingadores (escrito pelo Mark Waid) já está saindo aqui no Brasil (intercalado com desenhos do Adam Kubert). Leia sem medo (aqui listamos quatro bons motivos). Muito simpático, falava com todos, ainda que não houvesse muita procura em sua mesa.

 

 

Outro estranhamente bem pouco procurado pelos fãs brasileiros foi o argentino Ariel Olivetti. Simpaticíssimo, atendia a todos com aquele sorriso no rosto e estava vendendo uns prints que eram a coisa mais linda do mundo, como não poderia deixar de ser. A mesa estava vazia, mas de longe a impressão era outra: parecia que a fila para ele era interminável. O motivo é simples: sabe quem estava na mesa ao lado? Isso mesmo, o seu conterrâneo.

 

 

Eduardo Risso só apareceu na sexta-feira, deixando vários fãs ansiosos e apreensivos (teve um momento que passamos na mesa dele, vazia, e um fã estava pra lá de nervoso. Já havia esperado durante toda quinta-feira e na sexta, já havia passado das 10h e nada do Risso aparecer. O cara tava quase desesperado). As filas imensas mostram todo o prestígio que o argentino tem entre os brasileiros. A imagem não ajuda, mas veja esses prints que ele estava vendendo lá a troco de pão. Se você comprasse dois, ainda ganhava um sketch exclusivo feito ali, na hora, na sua frente. Aí já sabe, né? Era melhor sentar para esperar, porque ia demorar um bocado…

 

 

E o que falar da lenda Simon Bisley? Figuraça! Tirou foto com cosplay de Lobo, ganhou presentes e sempre chegava cedo. Era dos primeiros a estar por lá todos os dias. Não parou de desenhar um minuto, fazendo desenhos que a galera comprava ali na hora (fila imensa pra isso e uma outra só pros autógrafos. Ou seja, estava atendendo todo mundo). Em um determinado momento, levantou-se e pediu licença. Precisava ir até o banheiro. Pra não deixar dúvidas, gesticulou pra onde estava indo e o que ia fazer, gerando gargalhadas gerais aos que presenciaram a cena.

 

 

Ao lado do Bisley estava a mesa de Paul Pope. O artista ficou pouco tempo no local (só apareceu na sexta, no meio da tarde), mas enquanto ele esteve lá foi bastante simpático. Estava autografando todas as edições que estavam levando pra ele. Isso foi bastante importante, principalmente depois de toda a polêmica em que seu nome esteve envolvido. Mesmo depois que as acusações com seu nome foram esclarecidas, ainda restava algumas dúvidas de como seria o comportamento dele no evento. Fora isso, Pope adorou o Brasil: ainda ficou por aqui uns dias após o evento e retornou agora, para CCXP Tour.

 

 

Ainda na editoria “Acho que vou me mudar para o Brasil”, outro poço de simpatia foi o Bill Sienkiewickz. O artista já esteve no Brasil anteriormente para uma edição do FIQ e conhecia o comportamento do público brasileiro. A fila dele era uma das maiores de todo o artist’s alley, mas todos ficavam de bom grado, pois ele atendeu muito bem os que chegaram pra pedir um autógrafo ou um sketch. Um dos momentos mais inusitados e legais foi quando, no sábado, o artista chegou um pouco mais tarde e a fila já estava grande, todos vibraram quando ele chegou na mesa e ele entrou na vibração e aplaudiu junto com os fãs!

 

 

Outro que esteve presente e sempre foi muito simpático foi o (mais um) argentino Gerardo Zaffino. Pena que a fase dele em Karnak (escrita pelo Warren Ellis, com desenhos seus apenas nas duas primeiras edições) ainda não chegou por aqui, por isso sua mesa não estava tão movimentada quanto a de outros artistas. Os prints que o cara trouxe compensavam. O cidadão desenha uma barbaridade. Fiquei extremamente tentado a comprar um dos prints e também um sketch que ele estava fazendo na hora, mas sou mão de vaca!

 

 

Outro argentino (não perca as contas) que estava no artists’ alley foi o Leo Fernandez, conhecido por sua passagem nos desenhos do Justiceiro, entre outros. Ele estava lá a convite do Stout Club promovendo Far South, lançada em 2015. O turco Yildiray Cinar também esteve no evento, mas com bem pouco material à venda e também publicado no Brasil. Ele esteve meio avulso e ficou na maior parte do tempo que esteve presente sem filas na sua mesa. Esquecemos até de tirar foto, né? Parabéns.

 

 

E pra finalizar com alguma obviedade: Frank Quitely e Brian Azzarello eram os artistas mais concorridos de todo o evento, perdendo apenas para Frank Miller e Maurício de Sousa, é claro. Quando foram anunciados que viriam ao evento, todos tiveram a expectativa de que ficariam no artists’ alley. Não poderíamos estar mais enganados. As sessões de autógrafos foram no stand da Chiaroscuro e duravam apenas 1 hora por dia. Resultado: as senhas para esses autógrafos praticamente acabavam antes mesmo da abertura do evento. Mas quem conseguiu não se decepcionou. Os dois foram muito simpáticos e atenderam a todos (que tinham senha). Inclusive Brian Azzarello foi visto circulando pelo artists’ alley sem ser muito incomodado.

 

 

Já do Frank Quitely só ouvimos elogios rasgados. Todo mundo lá saiu um pouco mais fã do cara, por causa da sua simpatia. Conversou com os fãs, tirou fotos e bateu o recorde mundial de autógrafos em exemplares de Grandes Astros Superman encadernada. Logo cedo, na sexta, já tinha gente sentada na fila do cara. “Logo cedo”, entenda umas 10h e pouca da manhã! Fenômeno! Bom, essa parte está ficando muito longa, então, vamos terminá-la num outro post.

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