Samurai Shirô

3.0

NOTA DO AUTOR

 

Samurai Shirô é o primeiro trabalho de Danilo Beyruth pela Darkside Books. No caso, primeiro trabalho completo, posto que o quadrinista fez a capa de um livro lançado pela editora (A Noite dos Mortos-Vivos, de John Russo. Veja aqui). A história inicia com um rapaz dando entrada num hospital, após ser encontrado espancado na sarjeta, com o rosto desfigurado e segurando uma katana (aquela espada de samurai) em uma das mãos. Após uma delicada cirurgia e ficando um longo tempo em coma, ele acorda sem saber nada de seu passado e sem entender como foi parar no hospital, naquelas condições. Após ser interrogado brevemente pela polícia, ele resolve fugir e descobrir o que aconteceu, levando a espada consigo.

O autor situa sua história em dois locais distintos: Osaka (no Japão) e o bairro da Liberdade (região central de São Paulo), alternando cenas ora numa, ora noutra cidade. No Japão, acompanhamos os grandes clãs da Yakuza envoltos num mistério acerca de uma katana milenar e o esfacelamento de um dos clãs. No Brasil, conhecemos Akemi, uma jovem descendente de japoneses que acabou de perder o avô, seu único parente. Após se envolver numa briga em um bar, os marginais passam a persegui-la e a encurralam em seu apartamento. É nesse momento que o cara misterioso aparece em sua vida, a salva dos bandidos e ambos fogem. Por não se lembrar de seu nome, Akemi passa a chamá-lo de Shirô.A katana que Shirô carrega pra cima e pra baixo pertencia ao avô de Akemi, deixando a trama cada vez mais complicada. Em busca de mais respostas, a dupla parte para o interior de São Paulo, onde um grupo de simpáticos velhinhos japoneses mostram que o passado, a vida familiar e até mesmo o avô de Akemi não são nada daquilo que ela sabia até então. Ao mesmo tempo, integrantes de diferentes clãs da Yakuza chegam ao local, cada um com um objetivo diferente.

Preciso começar te dizendo: esse não é o melhor trabalho de Danilo Beyruth. É melhor do que Astronauta – Singularidade, caso você também considere a segunda parte de sua trilogia acerca do Astronauta do Maurício de Sousa como sua obra mais fraca (e, também, caso adore comparar coisas díspares). Com isso, não estou dizendo que Samurai Shirô é uma graphic novel ruim, um ponto fora da curva da sólida carreira de Beyruth nos quadrinhos ou coisas do tipo. A pesquisa por trás da história – uma de suas principais características – é algo impressionante e o autor insere tais elementos de forma bem natural, sem soar didático ou professoral. Não à tôa, a história não tem uma única nota de rodapé ao longo de suas quase 200 páginas (e nem me pergunte o que diabo significa “Shirô”).

As cenas de luta e ação seguem magníficas, com agilidade, dinâmica e movimento que são típicos de seus trabalhos, transformando o resultado final em algo absurdamente cinematográfico, mais uma vez. A narrativa de Beyruth é sempre algo que salta aos olhos, aliada ao traço (e aqui é gosto pessoal: o dele eu adoro) firme e já consolidado, todo em preto e branco, o que valoriza demais sua arte. É claro: os cenários, às vezes, dão aquela sumida básica, mas nada que atrapalhe a leitura. Vale dizer também que, apesar do conteúdo, não estamos diante de um mangá: a narrativa dinâmica é uma característica própria do autor e, aqui, ele não faz concessões à forma como os japoneses contam suas histórias (e nem viria ao caso). Então, por exemplo, não espere onomatopeias gigantes ou cenas de grande impacto visual e dramático.

O problema mesmo está no roteiro. Não tenho problemas com clichês: homem misterioso e amnésico, protagonista cujo passado não é nada daquilo que ela sabia, briga entre famílias mafiosas, personagem que não é bem aquilo que aparenta; enfim, há vários deles nessa história. O problema é como eles são usados, ficando o clichê pelo clichê. Alguns dos mistérios são bem óbvios e há elementos que, salvo sejam melhor explorados numa possível continuação (já falo sobre isso), não possuem muita serventia. A narrativa é linear, mas demora um bocado para engrenar, tem umas soluções bem chinfrins e alguns momentos maçantes, sobretudo no início. Para não jogar toda água fora, os diálogos são bons, enxutos e objetivos.

E não tem final? Em parte, sim. Quase todas as pontas são fechadas, o grande mistério é resolvido e o final é bem satisfatório dentro da proposta. No entanto, Beyruth, de forma bem simples, deixa espaço para desenvolver mais a história e levá-la a outros caminhos no futuro. De preferência, em outro formato, mais barato e acessível: a graphic novel tem formato 17x26cm, 192 páginas, capa dura, papel de boa gramatura e preço sugerido de R$ 59,90.

 

  

Roteiro: Danilo Beyruth

Arte: Danilo Beyruth

Editor: Bruno Dorigatti e Raquel Moritz

Capa: Danilo Beyruth

Publicação original: outubro de 2018

No Brasil: 

Nota dos editores:  1.5


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