2020: a nova Idade do Ferro

O futuro chegou novamente para Tony Stark e está ligeiramente diferente do que já foi. Calma, não se trata de história envolvendo viagem no tempo. Pelo menos não para os personagens. O leitor, sim, pode fazer um tour pelas mais de três décadas que englobam a próxima saga do Homem de Ferro. Com o anúncio feito recentemente pela Marvel, durante a New York Comic-Con 2019, foi confirmado não apenas o resultado de tudo que vem sendo construído por Dan Slott na mensal Tony Stark: Iron Man nos últimos meses, como também a reutilização de todas as ideias apresentadas há 36 anos por Tom DeFalco, envolvendo o Vingador Dourado. Para explicar esse rolo todo, vamos voltar ao ano de 1984, para conhecer o ano 2020. São presepadas desse tipo nos gibis que provocam ódio em uns e diversão para muitos. Não gostou? TCHAU! Vá ler fumetti (gratuito, eu sei.)

Veja, é tudo a mesma coisa, mas totalmente diferente. Tom DeFalco, Herb Trimpe e Barry Windsor-Smith produziram em 1984 uma minissérie em 4 partes para o personagem X-51, o Homem-Máquina, mostrando um futuro situado em 2020, no qual um primo de Tony, Arno Stark, assumiu o comando de suas indústrias e da tecnologia da armadura do Homem de Ferro. O sujeito era ruinzinho, mercenário, um pilantra. Nessa mesma história, a androide Jocasta e a inventora/empresária Sunset Bain tinham destaque na trama. Nomes e personagens e conceitos que estão sendo reutilizados, reinterpretados e readequados já há algum tempo na Marvel.

Antes de irmos adiante, vale comentar que esse não foi o único substituto de Tony Stark, dos anos 1980 até os dias de hoje. Tivemos seu amigo de longa data, James Rhodes, que depois tornou-se o Máquina de Combate; sua eterna namorada, Virgínia “Pepper” Potts, que assumiu o codinome Resgate, em uma versão pacifista do Homem de Ferro; Riri Williams, que hoje atende pelo nome Coração de Ferro. E essa lista não é por acaso, daqui a pouco todos terão destaque na saga que está para começar. Mas vamos para frente. Digo, para trás. Olha, apenas acompanhe, ok?

Em 2013, na relativamente curta fase Kieron Gillen na mensal Iron Man, foi revelado que Tony seria filho adotivo de Howard e Maria Stark, que por sua vez seriam pais biológicos de alguém chamado Arno. Isso fez com que a realidade mostrada por DeFalco em sua minissérie automaticamente se tornasse uma linha temporal paralela. Tchau, primo mau caráter. Olá, irmão problemático. Depois de mais um vai-e-vem na fase escrita por Brian Michael Bendis, onde surgiu a personagem Riri Williams, Tony morreu mas logo melhorou, (ah, sim, foi aí que Victor Von Doom passou uns meses brincando de ser herói, se anunciando como o Homem de Ferro. Uma ideia, bem, infame) e tudo resultou na fase atual escrita por Dan Slott. Um resumo rápido da fase Slott: Tony Stark retornou ao comando de suas indústrias e resolveu recuperar o tempo perdido com inovações, projetos e ideias cada vez mais avançadas. Ao seu lado, um elenco numeroso de coadjuvantes, alguns deles amigos ou parentes, outros além de serem amigos também aliados dos Vingadores. Depois de muitas intrigas e aventuras, essa fase está para terminar e ser relançada, com uma reviravolta: Arno Stark vai assumir o lugar de Tony como o Homem de Ferro. Com um detalhe, o ano dessa mudança estará em seu nome. Vem aí o Homem de Ferro 2020. Novamente. Mas pela primeira vez.

A ideia é simples: aproveitar o ano que vem para brincar com a nostalgia dos leitores veteranos e criar um conflito interessante para os leitores recém chegados. O evento acontece em uma minissérie em seis edições e nos tie-ins, que surpreenderam positivamente por utilizar o passado e o presente do Homem de Ferro. OK, o clichezinho velho e sambado será usado pela milésima vez: tudo indica que Tony será dado como morto. Daqui a pouco mudam o nome dele pra “Imortal Homem de Ferro”. (Se bem que isso está dando muito certo pro Hulk. Mas bora deixar de tangenciar.)

Eis a saga: enquanto Arno apronta das suas usando armadura e nome do Homem de Ferro para enfrentar uma rebelião das máquinas na minissérie, amigos e aliados de Tony estrelam suas próprias minisséries de dois ou três números. Tem Pepper como a Resgate, Riri como Coração de Ferro, tem até o surpreendente retorno da Força-Tarefa, um grupo de Vingadores que não se chamavam Vingadores lá nos tumultuados anos 1990, mas que se olharmos direitinho nem é assim tão surpreendente já que Slott praticamente montou uma equipe de Vingadores que não se chamam Vingadores nessa mensal atual, com Vespa, Rhodes, Jocasta e Homem-Máquina como coadjuvantes. Provavelmente será essa a formação da nova Força-Tarefa. Os demais tie-ins serão do Homem-Máquina, outro chamado Iron Age e um misterioso chamado Weapon.Exe.

Claro, todos terão “2020” nas capas. Já sabemos que eventualmente teremos Tony de volta e, se brincar, até deixem o Arno com uma mensal chamada Superior Iron Man (precedentes existem, tanto com Tony quanto com um certo aracnídeo), além da possibilidade de nova série para o Rhodes (tem de tirar o sujeito daquela nave sem graça e devolver o traje Máquina de Combate para ele), para a Resgate e até para a Força-Tarefa. Riri já tem a sua, mas toda visibilidade é bem-vinda. Mas isso tudo é querer prever o futuro e sabemos que isso não é possível. Não é como se soubéssemos o que vai acontecer em 2020. “O futuro não é mais como era antigamente”.


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