O rei do Eisner Awards 2019

No último final de semana, durante a San Diego Comic-Con, finalmente tomamos conhecimento dos vencedores da maior premiação dos quadrinhos, o popular Eisner Awards, edição 2019.

Tom King, atual roteirista do Batman, levou quatro estatuetas e sagrou-se bicampeão na categoria Melhor Escritor. Em 2018, ele dividiu o prêmio com Marjorie Liu, de Monstress, obra que foi a grande vencedora daquele ano com cinco estatuetas. Nas indicações de trabalhos de King, constavam Batman, Batman Annual #2, DC Encontra Looney Tunes (a Panini publicou tudo numa única edição. A história de King é o encontro do Hortelino Troca-Letras com o Morcego) e Senhor Milagre. Dessa vez, Batman e Senhor Milagre se juntam a Heroes in CrisisSwamp Thing Winter Special. King também venceu Jeff Lemire e Mark Russell novamente, além de Alex de Campi, Kelly Thompson e Chip Zdarsky.

Fora questões de gosto pessoal, me parece que faltou aos dois últimos um “Senhor Milagre” para impulsionar a votação. Porque, em narrativa mensal, Thompson e Zdarsky superam e muito o Batman de Tom King.

Chip Zdarsky, que levou Melhor História em Edição Única por Peter Parker: The Spectacular Spider-Man #310, vem fazendo trabalhos em mensais bem mais consistentes do que o bicampeão – conforme podemos atestar nessa edição premiada, que encerra sua passagem pelo titulo do Homem-Aranha. Cansei de falar que Zdarsky sabe fazer mensal, daquelas que você quer acompanhar, sem precisar revirar o passado do personagem por várias e várias edições, mudar sua personalidade em favor do roteiro ou criar tramas mirabolantes mês sim, mês também. O mesmo podemos falar de Kelly Thompson, que foi indicada por, entre outros, Gaviã Arqueira, Jessica Jones, Mr. & Mrs. X, Rogue & Gambit, Fabulosos X-Men e Vingadores da Costa Oeste, todos pela Marvel. São séries que chamam atenção justamente por envolver o leitor com boas histórias. Por fim, vale dizer que Batman não levou o prêmio de Melhor Série.

Os outros três prêmios de Tom King na noite foram Melhor História Curta (Swamp Thing Winter Special, juntamente com o desenhista Jason Fabok), Melhor Minissérie (Senhor Milagre, ao lado de Mitch Gerads – e aqui ele venceu Mark Russel uma segunda vez) e Melhor Álbum Gráfico – Republicação (Visão, ao lado de Gabriel Hernandez Walta e Michael Walsh). Como dito acima, Batman concorreu a Melhor Série e perdeu para Dias Gigantes, um título da BOOM! publicado no Brasil pela Devir. Em suma, a história do Monstro do Pântano e a maxissérie do Senhor Milagre garantiram o prêmio de melhor escritor do ano para o ex-agente da CIA – este último ainda garantiu a Gerads o prêmio de Melhor Arte-Finalista.

Jeff Lemire teve uma participação curiosa no Eisner 2019. O seu Black Hammer: Age of Doom perdeu para Dias Gigantes na referida categoria Melhor Série (The Immortal Hulk, de Al EwingJoe Bennett, igualmente concorreu a Melhor Série – outro título elogiadíssimo justamente por ser uma boa revista mensal), e na categoria Melhor Escritor, no qual concorreu pelas inúmeras séries derivadas de Black Hammer, juntamente com Descender, Gideon Falls e Royal City, Lemire igualmente ficou de fora. Por outro lado, o mesmo Gideon Falls venceu como Melhor Série Estreante (arte de Andrea Sorrentino) e Dustin Nguyen levou o prêmio de Melhor Desenhista/Artista Multimídia por Descender, desbancando gente como Lee Bermejo e Carita Lupatelli.

Finalizando, Ed Brubaker participou esse ano em apenas uma categoria e levou o prêmio de Melhor Álbum Gráfico (inédito) por My Heroes Have Always Been Junkies, com arte de Sean Phillips. Brubaker segue sem ganhar um Eisner de Melhor Escritor, uma das grandes injustiças da premiação. O queridíssimo Bill Sienkiewicz ganhou pela Melhor Coleção de Arquivo (IDW) e o badalado Matt Wilson garantiu a presença de uma obra de Brian K. Vaughan (Paper Girls) ao levar o prêmio de Melhor Colorista. Vaughan segue como um dos maiores vencedores do Eisner até mesmo quando não participa diretamente.

Independente de gostos pessoais, o Eisner Awards é um belo resumo do que melhor aconteceu no ano em termos de lançamentos, uma excelente vitrine para os autores e um dos melhores indicadores de boas histórias para ficarmos de olho – e muitas delas foram ou serão publicadas no Brasil. A lista completa dos vencedores (e dos indicados) por ser vista aqui.


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