X-Tudo Superior #12

Acabou Dinastia X e Potências de X, começa agora o Amanhecer X. Tudo que Jonathan Hickman construiu e preparou com as duas minisséries mostradas de X-Men #1 a #4 no Brasil, estabeleceu o palco para os próximos dramas da raça mutante, que serão apresentados a partir de X-Men #5, que agora será uma revista quinzenal. De acordo com o anúncio feito pela Panini, a estreia do Amanhecer X terá 3 histórias, com os títulos X-Force, Novos Mutantes e Anjos Caídos, portanto, vamos falar um pouco sobre a história de cada conceito ao longo dos anos e o que esperar dessas novas encarnações. Começando por…

X-FORCE

Desde sua estreia em 1991, na última página de New Mutants #100, a proposta dessa equipe seguia um caminho único na história dos mutantes. Uma unidade pró-ativa, militarizada, sem ilusões de heroísmo ou convivência pacífica, renegados entre os renegados que sempre foram os X-Men. Já em sua revista própria, a X-Force formada por Cable, Míssil, Dinamite, Dominó, Apache, Feral e Shatterstar, empreendeu uma pequena guerra contra o vilão Conflyto, na verdade um clone de Cable, mas pela misericórdia divina deixa essa confusão para lá.

Basta dizer que nesse começo o negócio todo era um misto de Comando Para Matar com humor cínico e visual de baile de fantasia carnavalesca high tech e bélica. E isso foi mudando nas décadas seguintes, a cada nova encarnação da equipe, mas o elemento “renegado” sempre foi mantido. A exceção foi a fase em que Peter Milligan e Michael Allred usaram apenas o nome X-Force, mudando totalmente conceito e abordagem, mostrando mutantes que eram celebridades pop sem caráter, fúteis e praticamente sem vínculo com os X-Men ou mesmo os ideais de Cable. Essa equipe acabou sendo rebatizada como X-Statix nos EUA e ganhou certo status cult entre alguns leitores.

Tudo mudou novamente quando Craig Kyle e Christopher Yost resgataram parte da proposta original, mas desta vez com uma reviravolta. Scott Summers, o Ciclope, viu a necessidade de criar uma equipe secreta, clandestina até mesmo para os padrões dos X-Men, formada por mutantes altamente eficientes nas artes da infiltração, rastreio e, eventualmente, eliminação de inimigos dos homo superior. Eram tempos absurdamente extremos para os mutantes, com genocídio, chacinas, limpeza genética e o risco da extinção total dos portadores do gene X, então, Ciclope se viu obrigado a conceder licença para caçar e matar a um pequeno grupo formado por Wolverine, Lupina, Apache e X-23, com adições posteriores de Arcanjo, Dominó e Elixir.

Pouco tempo depois, a X-Force foi exposta e Ciclope se viu forçado a desativar a unidade secreta, mas mesmo sem autorização do líder dos X-Men, Wolverine continuou a missão de ser juiz, júri e executor em uma nova revista chamada Uncanny X-Force. Escrita por Rick Remender, com os novos integrantes Psylocke, Deadpool e Fantomex, essa versão teve sua cota de serviços sujos, decisões questionáveis e conflitos internos. A fase seguinte viu duas equipes simultâneas, uma novamente liderada por Cable e outra em que Psylocke tentava agir sem acumular contagem de corpos a cada missão. Um período curto, mas subestimado, onde não havia a mesma intensidade dos volumes anteriores, mas que alcançou bons resultados em termos de aventura, ação e interações. Veio outra fase, desta vez escrita por Simon Spurrier, com visual e um tom mais violento, bem parecido com a X-Force de Kyle e Yost, mas não teve muito sucesso e logo foi cancelada.

Eis que, devido aos eventos da saga X-Termination, na qual Cable foi morto por uma versão mais jovem de si mesmo, surge uma nova equipe, quase idêntica à formação original dos anos 1990, desta vez empenhada em resgatar Rachel Summers, irmã de Cable, das garras de Conflyto, no futuro onde mutantes vivem em guerra por causa das manipulações de Apocalypse. Um gibi simpático, que durou poucas edições.

Agora, o negócio ficou mais sério. Com as mudanças causadas pelo surgimento da nação mutante de Krakoa, o Conselho que governa a ilha decidiu instituir um setor que, segundo os próprios roteiristas, é o equivalente da CIA norte-americana, encarregado de prevenir ameaças, investigar ou retaliar ataques, agir com sanção governamental mesmo em casos extremos. E é essa nova X-Force, escrita por Benjamin Percy, formada por Wolverine, Fera, Jean Grey, Kid Omega, Dominó e Sábia, com eventuais participações de outros mutantes a depender da missão, que veremos na edição 5 de X-Men pela Panini.

Krakoa se tornou um alvo, os homo superior precisam mostrar que não estão indefesos e a X-Force, pela primeira vez, será uma equipe reconhecida e sancionada publicamente pelos líderes mutantes. Agora é esperar e ver se o conceito vai ser bem desenvolvido, nessa nova abordagem.

NOVOS MUTANTES

A primeira equipe e revista spin-off dos X-Men, criada por Chris Claremont e Bob McLeod no começo dos anos 1980, é um conceito simples e por isso mesmo duradouro. Se a proposta original de Charles Xavier era manter uma escola para mutantes, principalmente os jovens, nada mais natural que termos um grupo somente da garotada, que teoricamente não fariam missões nem se envolveriam nos perigos enfrentados pelos X-Men. Na teoria, claro, pois na prática os coitados passaram por todo tipo de tragédia e drama, como convém aos alunos do Professor X.

Mas tem um detalhe aí, que finalmente alguém decidiu explorar e assumir.

Desde que os Novos Mutantes originais passaram a agir como X-Force (alguns deles, não todos a princípio, embora quase todos os originais tenham participado da X-Force em um momento ou outro), tivemos várias equipes de, literalmente, novos mutantes, atuando com outros nomes.

Geração X, Novos X-Men, Academia X, a turma de adolescentes criada por Grant Morrison, os alunos da Academia de Emma Frost, os primeiros mutantes no pós-decimação “despertados” por Hope Summers e que foram apelidados de Os Cinco (não confundir com os outros Cinco, que agora fazem ressurreições), até mesmo a pivetada criada por Jason Aaron pra Escola Jean Grey, todos se encaixam no perfil, dadas as proporções. E isso foi muito bem abordado na nova mensal chamada adequadamente de Novos Mutantes. Agora, em uma área específica de Krakoa, todas as equipes de jovens mutantes convivem no chamado Akademos Habitat, no que pode ser visto como uma expansão da ideia original da Escola para Jovens Superdotados do Professor Xavier, mas com uma autonomia muito maior.

Em termos de histórias, teremos Jonathan Hickman e Ed Brisson alternando arcos, mostrando os diferentes grupos, não apenas a turma de Dani, Rahne, Sam e os Novos Mutantes originais. A possibilidade de vermos também “intercâmbios” entre os garotos já foi confirmada logo na capa da primeira edição norte-americana, que mostrou Mondo e Câmara, da Geração X, junto com os Novos Mutantes. Uma boa sacada, trazendo de volta personagens queridos por diversas gerações de eleitores, em suas diversas encarnações.

ANJOS CAÍDOS

Em 1987, uma minissérie escrita pela roteirista Jo Duffy e desenhada pelo subestimado artista Kerry Gammil contou uma história juntando um bando de personagens de terceiro e quarto escalões, a maioria mutantes, sobre culpa, exploração da inocência e outros dramas. Inédito no Brasil, esse gibi talvez seja um dos mais obscuros e esquecidos da franquia mutante, mas alguém em algum lugar cismou de usar pelo menos o nome para batizar uma das novas séries do Amanhecer X.

Mas, tirando o nome, não existe mais nenhuma ligação com com a série oitentista. Dessa vez temos Psylocke (não a Betsy Braddock, mas a Kwannon, a ninja telepata), Cable (o Nathan Summers adolescente) e X-23. Todos eles mais anti-heróis do que heróis, com sua cota de homicídios nas mãos, angústias e ranger de dentes. Sério, parece mais uma sinopse da X-Force, afinal, os três já fizeram parte da equipe, a missão desta nova série tem a ver com eliminar inimigos, resgatar mutantes escravizados, os personagens não são exatamente amigos, tem todo aquele clima de desgraceira e desesperança.

Não que seja ruim, o roteiro de Bryan Hill é competente. Mas talvez seja para um tipo específico de leitor. No mais, parece que os editores queriam mesmo era dar uma requentada em cada título que já foi usado pelos mutantes desde os anos 1980, por isso conseguiram tirar Anjos Caídos lá do fundo da gaveta mais esquecida da escrivaninha do Professor X.


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